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Em livro, executivo compartilha sua trajetória de motivação e resiliência na luta contra um câncer

Apaixonado por triatlo, David Grinberg relata como as habilidades emocionais adquiridas por meio do esporte foram essenciais para enfrentar a doença

Aos 39 anos, casado, com dois filhos e ocupando um cargo de alta liderança em uma multinacional, David Grinberg passava os dias tentando conciliar a atenção aos filhos e à esposa com seus compromissos no mundo corporativo e suas rotinas de treino e participações em eventos de triatlo, uma de suas grandes paixões. Demonstrando muita disposição, foco e determinação em todas as tarefas, David sempre foi exemplo para amigos, familiares e colegas de trabalho. Dias depois de participar da modalidade mais temida do Ironman, maior circuito de triatlo do mundo, ele recebeu uma notícia que mudou os rumos de sua história: sofria de linfoma, um tipo de câncer que afeta os linfócitos, células responsáveis por proteger o organismo de infecções e doenças.


Em Rotina de ferro, lançamento da Editora Planeta exclusivamente no formato digital, cujos direitos autorais serão revertidos para a Abrale, Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia, o executivo narra sua história desde antes da descoberta da doença, passando pelo tratamento, enquanto aborda como encarou a adversidade como um desafio no qual a meta era alcançar a cura e retomar a vida familiar, profissional e esportiva, além de compartilhar suas reflexões e aprendizados ao longo desse processo. Incentivado pelos pais desde pequeno a praticar esportes e a manter uma rotina regrada, David já praticou todas as modalidades possíveis e, mais tarde, descobriu a verdadeira paixão no triatlo. “Eu sempre soube, desde pequeno, da importância da disciplina e da concentração em tudo o que faço na vida. E devo isso em grande parte ao esporte. Essas duas ferramentas não vêm de graça, demandam treino e atenção, mas me foram extremamente úteis em toda a minha vida – inclusive durante o enfrentamento da doença”, ele relata no livro. 


Enquanto se preparava para enfrentar o maior desafio esportivo de sua vida, o Ironman ‘full’ que aconteceria em maio de 2018, David, que estava no auge do preparo físico, começou a sentir que algo estranho estava acontecendo com seu corpo. Apesar das fortes dores de cabeça, do cansaço e das recomendações médicas, o executivo encarou o desafio, ultrapassou os limites de seu corpo e conseguiu cruzar a linha de chegada, mas o sinal de alerta em seu organismo continuava a tocar. “Comparo o corpo humano a uma máquina que pode apresentar defeitos, alguns fáceis de consertar, outros que podem ser sinal de que algumas das engrenagens precisam de reparo mais intenso e de que é hora de dar ouvidos a isso. Era essa fase de maior atenção e reparos que eu estava atravessando, sem me dar conta”, ele conta no e-book. 


Alguns dias depois da competição, o autor foi parar no hospital depois de um desmaio e, após alguns exames, os médicos constataram que ele sofria de um tipo agressivo de linfoma e precisaria encarar um tratamento igualmente agressivo, realizando ciclos de quimioterapia ininterruptos. Ao mesmo tempo em que relata o sofrimento, as dores, as angústias e os medos, David compartilha o quanto a rede de solidariedade formada por familiares, amigos e profissionais foi decisiva para motivação rumo à recuperação, destacando principalmente o apoio de seus pais, o carinho de seus filhos, o companheirismo incondicional de sua esposa, a dedicação do Dr. Nelson Hamerschlak, responsável pelo seu tratamento, junto com toda sua equipe médica e de enfermeiros, e o empenho de seu chefe na época, Daniel Schleiniger, que criou o projeto #IronMan2019 #ThisIsAMission, um trato entre eles de que realizariam um Ironman juntos assim que a saúde de David estivesse recuperada. 


Ao longo do tratamento, o autor teve diversos insights e passou a rever algumas atitudes e valorizar pequenas coisas: “A doença me fez parar para enxergar melhor os outros e ver como as relações precisam ser mantidas com atenção dos dois lados.” Ele ressalta, por exemplo, a importância em manter conexões com os familiares e amigos, mesmo quando as rotinas muitas vezes não permitem ter um contato próximo, aproveitar com calma pequenos prazeres do dia a dia, valorizar conquistas de recomeço e ser mais gentil com o próprio corpo, de forma a perceber pequenos sinais que ele possa dar.